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aparência e realidade

pelos últimos anos eu tenho refletido sobre algumas fraquezas em sistemas educacionais e religiosos relacionadas a diferenciação entre o visível e o real.

estas fraquezas, na minha percepção, são esclarecidas pelos seguintes princípios delineados pelo filósofo emannuel kant:

1. o elemento fenomenal - aquilo que se pode ver.
2. o elemento noumenal - a realidade (que pode ou não ser vista).

muitos sistemas educacionais e religiosos focam no elemento fenomenal (no que se pode ver). neste contexto, aparências tem preeminência sobre realidade. alguns exemplos:

exemplo a: o estudante pode ser moralmente problemático (em sua vida particular), mas se tira boas notas nas provas, é considerado bom aluno.

exemplo b: o religioso pode ser moralmente problemático (em sua vida particular), mas se mantém uma boa aparência na igreja, é considerado bom cristão. 

o elemento fenomenal é superior ao noumenal. a realidade é escondida pela aparência. moralidade é escondida pela visibilidade.

lendo o livro “educação” (página 74) da escritora Ellen G. White hoje pela manhã encontrei a seguinte citação relacionada ao professores da época de Cristo que quase me fez cair da cadeira:

a falta da verdadeira excelência era suprida pela aparência e profissão. a aparência tomou o lugar da realidade.”

os problemas do passado, são também os problemas do presente.

como educadores (pastores, professores, e membros) precisamos seguir os moldes educacionais encontrados na própria vida de Cristo narrada nas Escrituras. princípios que subvertem a ideologia de que aparência precede realidade já que o que Cristo mesmo “ensinava, Ele era.” 

em Cristo não havia nenhuma diferenciação entre aparência e realidade. seu método educacional contornava “aparência” e focava em potencialidades:

"em cada ser humano Ele divisava infinitas possibilidades…via os homens como poderiam ser…" (educação, 80).

educação que ocorre em um contexto onde aquilo que é ensinado não é vivido tende a focar no que é vivido e não no que é ensinado. o futuro da educação cristã em todos os seus níveis, da mesa da cozinha em família até a sala de aula com alunos, depende parcialmente de nossa postura diante de aparências e realidades. 

por muito tempo não entendi a relevância da educação por não conseguir lidar com esta dicotomia. hoje entendo que educação não é algo que recebemos ou oferecemos… educação é uma postura de vida.

o que Cristo ensinava, Ele era.

11:34 am: tarrais20 notes

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ver e olhar

"e Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus…" êxodo 3.6

o começo do terceiro capítulo do livro de êxodo introduz uma ênfase na palavra “ver” - no hebraico ra’a. 

até o verso 6 o verbo ocorre cinco vezes (seis se contarmos a palavra “maravilha” no verso 3 que vêm da mesma raiz).

três das cinco vezes a palavra está ligada a moisés.

moisés vê, vê, vê.

mas finalmente, quando moisés percebe que a sarça ardente não contém apenas uma “grande maravilha” mas o próprio Deus… o texto diz (3.6):

"Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus."

a palavra “olhar” (o verbo nvt) no hebraico é diferente da palavra “ver.”  está ligada a observação, a olhar com cuidado, a contemplar (veja: Gen 15:5; 19:17, 26; Ex 33:8; Num 12:8; 21:9; 23:21; 1 Sam 2:32, 16:7).

aquele que vê, vê, vê… teme olhar.

este texto me lembrou de nossa geração de cristãos. uma geração acostumada a ver, ver, ver. uma geração acostumada a ver “grandes maravilhas” além da simplicidade da sarça. acostumada a ver e requisitar programações, shows, eventos de suas igrejas.

uma geração acostumada apenas a ver, mas não disposta a olhar. pois na hora de olhar, de observar, de se aprofundar no Deus que fala através da Palavra… se esconde. 

o final do livro de êxodo mostra um moisés diferente. um moisés que, com o tempo, aprendeu a olhar e falar com Deus “face a face, como qualquer fala com o seu amigo” (êxodo 33.11).

que esta seja nossa história. que possamos aprender, com o tempo, que vale a pena nos aprofundarmos nas profundezas de quem Ele é através da simplicidade da Palavra.

vamos deixar de ver, e passar a olhar. 

ps: não desperdice oportunidades aparentemente simples (Deus estava na sarça!) de encontrar a Deus. mesmo que a sarça seja um estudo bíblico vazio, ou um culto no meio da semana, ou até mesmo um estudo da Palavra no som do silêncio no fim de um dia.

07:46 pm: tarrais16 notes

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29

hoje faço 29 anos de idade. 

não tenho o costume de criar posts comemorativos. neste espaço este é o primeiro. é o primeiro porque para mim todos os aniversários são iguais. porém o de hoje é diferente. diferente não somente porque é o último aniversário na categoria dos “20,” mas pelo que estou vivendo agora.

desde que cheguei aqui na universidade andrews em 2007 tive pressa para voltar ao Brasil. tudo que fiz até hoje foi feito para aproveitar o máximo possível, no mínimo de tempo possível.

quase sete anos depois, estou na reta final do último capítulo de nossa história aqui. e é por isso que este aniversário é diferente. no próximo ano, uma vez terminado o meu doutorado (se o Eterno permitir, antes de setembro), não tenho mais nenhum “grande objetivo” de vida. não almejo nenhum cargo, nenhuma posição. só quero servir. só servir.

a pressa irá acabar.

o único plano que irá restar, o plano que carrego dentro de mim desde que o Eterno me deu a dádiva da lucidez, é o de usar o resto de minha vida para servir a ELE e o Seu Reino com TODA minha força. de servir o Eterno até o dia que não houver mais fôlego dentro de meus corrompidos pulmões. 

por mais que o futuro seja incerto, ano que vem, a pressa irá acabar. e dali pra frente:

não sei se irei pastorear dez ou mil.
não sei se irei influenciar três ou trinta.
não sei se irei ensinar crianças ou adultos.
não sei se irei cantar em leitos de hospital ou em teatros. 

não sei e não me interessa.

a pressa irá acabar.

prestarei contas ao Eterno por minha vida. este é meu maior consolo, meu maior fardo. 

mais um capítulo de minha vida irá se concluir no próximo ano. e o capítulo que segue, será o último capítulo, pois só terá fim com o meu fim. o último capítulo será o mais longo, o mais complexo, o mais lindo, o mais difícil… o mais belo. 

termino este desabafo com o texto que marca este meu aniversário turbulento. este aniversário com mistura de alegria, de tristeza, de esperança, de anseio buscando alento. termino com salmo 29.10-11:

"o Senhor se assenta sobre o dilúvio; o Senhor se assenta como Rei, perpetuamente. o Senhor dará força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com paz…”

ano que vem a pressa irá acabar, e o último capítulo irá começar.

02:52 pm: tarrais17 notes

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israel e midiã

no discurso de estevão em atos 7:25 encontramos a seguinte frase “…pensava que seus irmãos entenderiam que por mão dele Deus lhes havia de dar liberdade; mas eles não entenderam.”

o argumento de estevão em seu discurso perante a cúpula dos líderes de israel no período do novo testamento era o seguinte: assim como israel no passado rejeitou os atos de libertação de moisés (figura de Cristo), israel hoje também rejeita os atos de libertação de Cristo (o novo moisés). 

obviamente estevão foi morto pouco tempo depois deste ousado e profundamente teológico discurso. porém se continuarmos seguindo o raciocínio de estevão (que começou em êxodo 2.11-14) até a narrativa seguinte (êxodo 2:15-17) os resultados são ainda mais interessantes. 

após moisés ser rejeitado pelos seus, ele foge do Egito e chega até a terra de midiã onde ele também executa atos de libertação. em êxodo 2:15-17 moisés “salva” as mulheres de midiã da opressão dos pastores de midiã. 

ao contrário do povo de israel, os midianitas não somente louvam mas recebem moisés como um deles! (e o recebem com uma refeição… aliança?)

resumindo: israel rejeita moisés. midiã acolhe moisés.

o raciocínio de estevão se levado adiante é ainda mais provocante! e o que ocorreu no capítulo 2 de êxodo é exatamente o que ocorre nas páginas seguintes do livro de atos: o libertador rejeitado por israel (Cristo) é bem recebido pelos gentíos. 

"os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor…" atos 13.48

a beleza da Escritura… é que a história sempre se repete. 

09:40 am: tarrais15 notes

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adultério e escarlate

o texto de provérbios 2.16-17 adverte aquele que busca sabedoria a se afastar da “mulher estranha (adúltera)… que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus.” 

a palavra para mulher “estranha” no hebraico é difícil de traduzir pois se refere a uma mulher estrangeira, possivelmente adúltera. porém o texto continua dizendo que esta mulher se “esquece da aliança.” 

o texto de malaquias 2.17 faz alusão a mesma imagem: “porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com qual tu foste desleal, sendo ela tua companheira, a mulher da tua aliança.”

uma pessoa só pode ser adúltera quando em algum momento foi companheira de outro alguém debaixo de uma aliança. o tema de provérbios e malaquias também aparece no livro de oséias ao Deus ordenar oséias a casar com uma “mulher de adultério.” esta mulher não é meramente uma prostituta por profissão, mas uma israelita que esquecendo a aliança com Deus vive como uma prostitua. 

li um artigo escrito por peter leithart alguns dias atrás sobre a mulher vestida em escarlate no livro de apocalipse que mantém esta mesma temática. no artigo ele escreve: “a cor ‘escarlate’ é citada mais vezes na Bíblia em conexão com as cortinas do tabernáculo e com as roupas do Sumo Sacerdote. também, é claro, é a cor das vestes da prostituta de apocalipse. isto significa que: somente um povo já vestido de escarlate pode se prostituir em roupas escarlates.”

prostituição, adultério, escarlate. a mulher/homem que tem o potencial de roubar nossa “busca pela sabedoria” de acordo com o livro de provérbios… pode ser “Israelita.” pois adultério só ocorre quando em algum momento “ambos” estavam debaixo de uma aliança. 

05:19 pm: tarrais4 notes

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nietzsche + linguagem

lendo “theology and the condition of postmodernity” de vanhoozer cruzei com esta interessante afirmação sobre nietzsche: “era nietzsche que negava fatos para criar espaço para interpretações.”

de acordo com vanhoozer a “condição pós-moderna” é um escape da subjetividade moderna para uma realidade lingüística, onde somos escravos de uma doença chamada linguagem. doença cuja consequência é ausencia de fatos, apenas interpretações “aparecem.”

o ponto é que cada linguagem abre novos horizontes para interpretação/captação da realidade. do mundo, de Deus, do homem, etc. e consequentemente existem realidades que não podemos alcançar devido as limitações de nossa linguagem.

lendo tudo isto não posso deixar de expressar uma leve admiração com relação ao “risco Divino” de colocar todas as “fichas” na língua hebraica e grega… línguas que carregam a “revelação” Bíblica e desvendam os mistérios de quem Deus é e seu plano redentor.

plano que cria um fenômeno que consequentemente causa transtorno para a mente pós moderna. pois uma vez que aceita, a revelação Bíblica estabelece uma metanarrativa (negada pela mentalidade pós-moderna) centrada neste “plano redentor.” a revelação cria uma nova história, centrada em termos práticos em “quem era” e “quem agora sou.” o transtorno aparece quando independente da cultura ou língua, a metanarrativa se repete, e continua se proliferando, por onde o cristianismo é plantado.

em outras palavras, o fenômeno cristão é uma afronta aos ideais “pós-modernos.”

04:48 pm: tarrais9 notes

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tia joquebede

acabei de tentar ler o capítulo 2 de êxodo inteiro esta manhã mas não consegui passar dos primeiros versículos. 

o segredo da leitura de qualquer narrativa se encontra nos conceitos de memória e antecipação. memória é a habilidade de lembrar aquilo que passou antes da leitura chegar até onde está (ecos, expressões, palavras chaves, etc). antecipação, por sua vez, é a habilidade de conseguir antever ou antecipar o que está por vir através daquilo que está ocorrendo.

muito bem. êxodo 2 é um exemplo excelente onde ambos os conceitos são encontrados… 

o capítulo começa com a informação de que um homem da casa de levi “casou” com uma “filha de levi.” a palavra “casou” no hebraico é laqah ou “tomou.” esta palavrinha traz na memória a atitude de eva no jardim do éden, a 1a pessoa que “tomou” algo no AT. as consequências da atitude de nosso primeiros pais são problemáticas e desde então o uso deste verbo (tomou) carrega uma leve conotação negativa (veja gen 6.1-2).

fora isso, êxodo 6.20 informa que joquebede era tia de anrão, seu esposo. de acordo com a lei levítica (que viria no futuro) esta atitude não é apenas errada (lev 18.12) mas punível (lev 20.19). em outras palavras, por mais que a lei não se aplica a casos que ocorrem antes dela ser formada, este “casamento” carrega uma imagem negativa. o que torna a história anda mais interessante! deste casamento aparentemente complexo, nasceram moisés (o libertador) e arão (o primeiro sumo sacerdote).

providência Divina atuando em sua melhor forma! 

mas a leitura não pode ser apenas marcada pela memória do que passou, ela deve antecipar o que está por vir… 

desta maneira a pergunta que deixo é: que outro libertador (novo moisés) virá no futuro de um nascimento também aparentemente “ilegal” aos olhos do povo? 

memória e antecipação. há muito mais no texto do que pensamos… 

10:38 am: tarrais4 notes

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igreja = hospital?

o conceito é usado tanto que já virou um dos vários “clichês cristãos.”

o conceito é usado com boas intenções, tenta mostrar o lado solidário do qual o cristianismo foi fabricado a ser. 

você já ouviu o conceito…na igreja, no pequeno grupo, no youtube.

eu já usei o conceito. 

que o conceito é usado não é o problema. o problema é o que ele desenvolve… a longo prazo, na mente da igreja. 

o conceito é: “a igreja é um hospital…” lugar onde congregam não pessoas curadas e perfeitas mas pessoas buscando cura.

e o conceito faz sentido. todos somos quebrantados e carentes de cura. imperfeitos.

o ponto é que a igreja definida como hospital não possuí a liberdade para ser tudo o que ela foi chamada a ser (alguns exemplos):

uma noiva (joel 2.16; apocalipse 19.7)

uma cidade na colina/montanha (mateus 5.14)

e acima de tudo: o corpo de Cristo! (efésios 5.30; colossensses 1.24; romanos 12.4; 1 corintios 12.13)

a ilustração mais forte do que a igreja foi chamada para ser se encontra na comparação com o corpo de Cristo. Cristo anunciava a vinda do reino, pregava juízo, arrependimento, graça, curava multidões, se assentava com pecadores, e conversava com prostitutas…

a igreja não é hospital. a igreja é o corpo de Cristo!

e agora? como é que estamos representando o Cristo do qual somos corpo?

"Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus." Romanos 7:4

talvez continua…

07:15 pm: tarrais9 notes

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o “desaparecimento” do espírito

"…desfaleceu o nosso coração, e em ninguém mais há ânimo algum." josué 2:11

no discurso da prostituta raabe aos espias israelitas em josué 2 um pedaço de informação é deixado de fora da tradução em português (e em inglês)…

o “ânimo” que ninguém mais mantinha (coragem em inglês) havia desaparecido da cidade de jericó e de seus habitantes antes de sua súbita destruição. a pequena palavra hebraica para “ânimo” no português ou “coragem” no inglês nada mais é do q ruah ou “espírito” no hebraico.

a destruição de jericó já havia sido anunciada em gênesis 15.16 a abraão ao Deus dizer: “e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” e quatro gerações depois aqui está o povo. e é neste contexto de juízo que o “espírito” dos habitantes de jericó “desaparece.”

antes de juízo, a ausência do espírito. 

o espírito que é dado para convencer e criar fé durante um período específico de tempo (gênesis 6.3) é retirado quando sua influência é continuamente rejeitada.

e já que o futuro para a mente hebraica nada mais é do que aquilo já foi introduzido pela sombra do passado o juízo futuro também é marcado pela ausência do espírito…

não é atoa que Cristo disse “quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” lucas 18.8. um sinal do desaparecimento do espírito?

de acordo com josué 2 o fim será marcado por duas classes de pessoas: os “habitantes de jericó” que resistiram a influência do espírito até o fim, e “raabes” que apesar de sua pecaminosidade reconhecem a soberania de Deus e abandonam a vida antiga.

josué 2.11 termina com este reconhecimento: “porque o SENHOR vosso Deus é Deus em cima nos céus e em baixo na terra.”

e se a história se repete…

12:27 pm: tarrais7 notes

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Jesus, uma nova esperança? (parte 3)

e no seu nome os gentíos esperarão (terão esperança)…” mateus 12.21

no seu nome os gentíos terão esperança. esperarão na esperança.

que esperança é esta?

depois de Cristo ser apresentado como um novo moisés no capítulo 11, como um novo davi no capítulo 12, e após os fariseus (como saul e doegue) planejarem matar Jesus pela primeira vez no evangelho de mateus, mateus cita isaías 42 descrevendo como Jesus cumpriu as profecias de isaías no seu ministério.

o último texto que mateus cita é isaías 42.4, porém note a diferença no texto de mateus do texto de isaías:

mateus 12.21 - "e no seu nome os gentíos esperarão"

isaías 42.4 - “e as ilhas aguardarão a sua lei”

as ilhas, os gentíos, aguardavam a vinda daquele que restauraria a lei (novo moisés), e daquele que restauraria israel por completo (novo davi). sua esperança é tanto no nome como na lei, pois ambos são representações da realidade do Cristo que veio para fazer novas todas as coisas.

o messias que viria para fazer novas todas as coisas era o objeto de sua espera, de sua esperança.

mas esperança aparte da Escritura é uma palavra vazia… os líderes de Israel ao perderem de vista o texto bíblico, perderam de vista as profecias que delineavam a natureza e o ministério do Cristo que viria…e quando Ele chegou, “o mundo não o reconheceu” (joão 1.10).

e se a história se repetir?

ao perdermos de vista o texto Bíblico hoje, corremos o risco de perder a nossa identidade de esperança, da esperança da Palavra, da esperança que espera.

Jesus é um novo moisés, um novo davi, e uma nova esperança… esperança enraizada na Escritura e regada pelo esperar paciente, o esperar dos gentíos em isaías 42 e dos pastores de rebanho em lucas 2.

que neste natal a história da esperança do primeiro advento aqueça nossa esperança no segundo advento, e quando aquele dia chegar, que possamos juntos dizer:

"eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos…" isaías 25.9

02:41 pm: tarrais2 notes

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Jesus, um novo davi? (parte 2)

e no seu nome os gentíos esperarão (terão esperança)…” mateus 12.21

mateus 11 termina com um novo êxodo, e mateus 12 começa com descanso, com shabbat (no hebraico “descanso”)…

nos primeiros capítulos de mateus Jesus é introduzido como um novo moisés (um dia escrevo mais sobre isso, mas não é difícil notar as similaridades, matança das crianças durante nascimento, entrada/saída do egito, subida ao monte das “bem aventuranças” indicando um novo sinai, etc), e um novo israel… a partir do capítulo 12 de mateus Jesus é introduzido como um novo “davi.” uma idéia confirmada em mateus 12.23 “não é este o filho de davi?” 

mas note a maneira como a história de davi e do descanso que Jesus oferece se encontram em mateus 12:

Jesus, no día do sábado, com seus discípulos, colhia espigas de trigo pois tinham fome…uma imagem similar a de davi, que com seu bando de soldados aguardavam o momento correto de “restaurar” o reino de israel. 

a lei em nenhum momento proibe satisfazer a fome no dia do sábado, e muito menos “colher” para saciar a fome…(veja levítico 19.9-10 e deuteronômio 24.20-22). desta maneira, Jesus não quebra nenhum mandamento, mas como o “Senhor do sábado” que Ele é (mateus 12.8) Ele restaura o sábado para seu devido lugar.

a atitude de Jesus, assim como a de davi no passado, gera conflito e intriga no meio dos líderes. Jesus com os fariseus, e davi com Saul e doegue o edomeu (1 samuel 21.7), um personagem tenebroso que mais tarde mata os sacerdotes e levitas por darem pão e apoio a davi (no dia do sábado) e mostrando deslealdade a saul. 

não é atoa então, que Cristo, no dia do sábado, ao aliviar as necessidade de seus discípulos, faz brotar ira nos líderes de israel. nos líderes que assim como saul e doegue no passado começam (pela 1a vez no livro de mateus) a planejar a morte de Jesus (mateus 12.14).

Jesus, como novo davi, não mostra rebeldia a Deus, se alguém de fato é um homem segundo o coração de Deus este é o próprio Jesus! o contexto de mateus 12 e seus ecos com a história de davi torna impossível a possibilidade de Jesus ter anulado o dia do sábado se mostrando acima do dia que Ele mesmo criou…(idéia já deixada clara em mateus 5.17 “não vim para abolir a lei, mas para a cumprir”).

como o novo Davi ele é fiel. Ele é o próprio Senhor do sábado, aquele que formou uma janela para eternidade dentro de um dia, para nos lembrar que na criação e em sua morte nosso descanso se encontra Nele, em SEU trabalho concluído…

mateus 11 termina com um novo êxodo, e mateus 12 começa com descanso, com o descanso de Jesus, um novo davi, que restaura a lei no meio de israel. e a história se repete em Cristo…no Cristo que “faz novas todas as coisas.”

…continuo no próximo post a parte final.

03:50 pm: tarrais2 notes

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Jesus, um novo faraó? (parte 1)

"e no seu nome os gentíos esperarão (terão esperança)…" mateus 12.21

o livro de mateus é o meu livro favorito no novo testamento. porquê? pelo simples fato de ele representar o ângulo dos evangelhos que mostra como Cristo restaura tudo que foi perdido e esquecido no antigo testamento.

a sequência do capítulo 11 e 12 é um excelente exemplo. o capítulo 11 de mateus termina com o famoso texto: “vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu os aliviarei…” as imagens que o texto evoca são aquelas do êxodo, onde o povo de israel estava cansado e oprimido pelo serviço debaixo do faraó do egito. e no final de mateus 11 Cristo aparece como um novo faraó, mas um faraó diferente. um faraó que oferece descanso e um fardo leve na ausência de opressão. em outras palavras, Cristo estabelece em mateus “um novo êxodo.”

não é atoa que mateus 12 começa com o tema do sábado… já que liberdade do egito resulta em descanso (shabbat) no trabalho terminado de Cristo ao libertar o povo do Egito. note que a idéia do descanso não altera nada do que já foi introduzido na criação (genesis 2.1-3), quando adão e eva descansam não do seu trabalho mas no trabalho concluído de Cristo. 

mateus 11 termina com um novo êxodo, e mateus 12 começa com descanso. e a história se repete em Cristo…no Cristo que “faz novas todas as coisas.”

…continuo no próximo post

12:19 pm: tarrais1 note

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uma carta aos semeadores de vento

berrien springs, 30 de outubro de 2011

caros semeadores de vento,

vocês estão no brasil. estão nos eua. estão no mundo.

são semeadores de vento… com suas sacolas cheias de idéias brilhantes e textos bíblicos esparsos. colocam toda a fé na semente, independente do que ela irá produzir. independente do que irão colher.

para alguns de vocês a semente da dúvida é a possibilidade da criação do mundo em 7 dias. para outros é a divindade do Espírito Santo. para outros é a data iminente do fim do mundo. idéias brilhantes e textos bíblicos esparsos.

vocês fazem parte de uma família antiga de semeadores.

em ezequiel 13 somos introduzidos para sua raça, antiga, que surge do meio do povo de Deus:

"E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os profetas de Israel que profetizam, e dize aos que só profetizam de seu coração: Ouvi a palavra do SENHOR; Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram!…viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o SENHOR não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra…como tendes falado vaidade, e visto a mentira, portanto eis que eu sou contra vós, diz o Senhor DEUS."

são semeadores que acreditam estar cheios do Espírito (ruach no Hebraico) mas estão na verdade cheios de vento (ruach no Hebraico). profetizam de acordo com seu entendimento e tem pouca consideração pelo povo… pela repercussão das suas Palavras na fidelidade do povo perante o Deus que não os enviou.

em oséias 8.7 a sua raça é reconhecida no meio do povo de Deus de novo, são aqueles que “semeiam o vento” mas colhem “tempestade.” que semeiam dúvida e colhem confusão…

no novo testamento Jesus reconhece sua raça que surge do meio do povo de Deus como “lobos devoradores” que se vestem “como ovelhas” (mateus 7.15). e paulo em suas palavras de despedida lembra seus seguidores que depois de sua partida “entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho…” (atos 20.29). falam coisas perversas, buscam atrair discípulos, e vivem a mesma religião da galácia, uma religião exclusiva… fechada.

paulo no mesmo discurso roga para que todos vigiem e se lembrem de suas lágrimas. porque o que difere um verdadeiro semeador, um semeador da verdade, de um semeador de vento como vocês, além de frutos, são lágrimas. o semeador da verdade chora com o povo não contra o povo.

por isso cuidado vocês semeadores de vento. que acusam seus irmãos de não terem conhecimento. que condenam seus irmãos de não compartilharem de suas crenças irrelevantes. que ao invés de buscarem a união do corpo debaixo de Cristo, buscam a divisão do corpo debaixo de suas novas idéias…cuidado. pois a bíblia é um livro sobre fé, esperança, e amor. e o maior de todos estes de acordo com 1 coríntios 13.13 é o amor.

se a colheita das sementes que vocês plantaram não render grandes quantidades de amor a Deus e amor ao próximo esta será a evidência que vocês de fato semearam vento… e logo colherão tempestade.

"semeai para você mesmo de acordo com justiça… e colha amor e misericórdia" oséias 10.12

02:25 pm: tarrais7 notes

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césar X Deus

“mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles… disse-lhes: dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. e admiravan-se Dele.” marcos 12.15, 17

hipócritas.

no grego hupocrisis.

no dicionário: é o ato de fingir ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui.

o termo é tão vasto que ninguém escapa.

todos somos, ou em algum momento de nossa vida fomos… hipócritas. mas no texto de hoje, os hipócritas que se aproximam de Cristo “o admiram.”

a hipocrisia se torna ainda mais evidente em períodos de eleições ou de crises. nós defendemos, discutimos, e argumentamos á favor de candidatos e de uma causa que mal conhecemos (e provavelmente esqueceremos até a a próxima causa “da moda” surgir)… e adicionamos a cereja religiosa no bolo de nosso discurso a linha que nos isenta de qualquer sentimento de culpa: “dai a César o que é de César.”

falar disto tudo, é dar a césar o que é de césar.

mas os hipócritas… “admiravam-se Dele.”

e se o crescimento da hipocrisia de hoje é o resultado direto da ausência de Cristo do nosso meio? da ausência do Cristo que inspira a admiração. da admiração que ofusca qualquer outra admiração que não parte da admiração que vem das Palavras de Cristo. especialmente a admiração de causas que não partem de Cristo…

talvez C.S Lewis tenha resumido o problema melhor que qualquer um quando escreveu:

"aquele que se rende sem reservas aos chamados temporais de uma nação, ou de um partido, ou de uma classe está doando a César aquilo que, de todas as coisas, mais enfáticamente pertence a Deus: ele mesmo."

há uma causa maior. há um discurso, uma morte melhor. mas em nossa hipocrisia, preferimos admirar nossa momentânea atitude de “dar a César o que é de César” sem perceber que acabamos dando a César aquilo que era devido somente a Deus: a nossa mente, o nosso coração, e consequentemente… nós mesmos.

não dê a César o que pertence a Deus.

"não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus…" romanos 12.2

02:50 pm: tarrais3 notes

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o caminho do coração

como seres humanos, diariamente temos a escolha de viver a vida pelos olhos da esperança (em suas diversas formas) ou pelos olhos do caos e do desespero. mas hoje, uma pessoa me escreveu: “o que importa é seguir o caminho do coração.”

esta frase é como um mantra moderno. porém penso comigo mesmo:

se de fato seguir o caminho do coração é imperativo, inevitável, a pergunta que fica é: qual coração?

o de nietzsche é separado da mente e age independente dela.
o de kierkegaard é puro e tem apenas uma vontade.
o da biblia é enganoso mas tem potencial para o bem q transcende “o eu.”

caetano veloso já cantava:

“meu coração não se cansa, de ter esperança…”

esperança ou de “ser tudo o que quer” como caetano…

ou de “ser algo que transcende o eu” como o de tantos gigantes do passado.

mas a pergunta que todos devemos responder para nós mesmos, se de fato devemos seguir o caminho do coração, é: qual coração?

pois cada coração tem o seu próprio caminho.

08:19 pm: tarrais9 notes