Link
adultério e escarlate

o texto de provérbios 2.16-17 adverte aquele que busca sabedoria a se afastar da “mulher estranha (adúltera)… que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus.” 

a palavra para mulher “estranha” no hebraico é difícil de traduzir pois se refere a uma mulher estrangeira, possivelmente adúltera. porém o texto continua dizendo que esta mulher se “esquece da aliança.” 

o texto de malaquias 2.17 faz alusão a mesma imagem: “porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com qual tu foste desleal, sendo ela tua companheira, a mulher da tua aliança.”

uma pessoa só pode ser adúltera quando em algum momento foi companheira de outro alguém debaixo de uma aliança. o tema de provérbios e malaquias também aparece no livro de oséias ao Deus ordenar oséias a casar com uma “mulher de adultério.” esta mulher não é meramente uma prostituta por profissão, mas uma israelita que esquecendo a aliança com Deus vive como uma prostitua. 

li um artigo escrito por peter leithart alguns dias atrás sobre a mulher vestida em escarlate no livro de apocalipse que mantém esta mesma temática. no artigo ele escreve: “a cor ‘escarlate’ é citada mais vezes na Bíblia em conexão com as cortinas do tabernáculo e com as roupas do Sumo Sacerdote. também, é claro, é a cor das vestes da prostituta de apocalipse. isto significa que: somente um povo já vestido de escarlate pode se prostituir em roupas escarlates.”

prostituição, adultério, escarlate. a mulher/homem que tem o potencial de roubar nossa “busca pela sabedoria” de acordo com o livro de provérbios… pode ser “Israelita.” pois adultério só ocorre quando em algum momento “ambos” estavam debaixo de uma aliança. 

05:19 pm: tarrais3 notes

Link
nietzsche + linguagem

lendo “theology and the condition of postmodernity” de vanhoozer cruzei com esta interessante afirmação sobre nietzsche: “era nietzsche que negava fatos para criar espaço para interpretações.”

de acordo com vanhoozer a “condição pós-moderna” é um escape da subjetividade moderna para uma realidade lingüística, onde somos escravos de uma doença chamada linguagem. doença cuja consequência é ausencia de fatos, apenas interpretações “aparecem.”

o ponto é que cada linguagem abre novos horizontes para interpretação/captação da realidade. do mundo, de Deus, do homem, etc. e consequentemente existem realidades que não podemos alcançar devido as limitações de nossa linguagem.

lendo tudo isto não posso deixar de expressar uma leve admiração com relação ao “risco Divino” de colocar todas as “fichas” na língua hebraica e grega… línguas que carregam a “revelação” Bíblica e desvendam os mistérios de quem Deus é e seu plano redentor.

plano que cria um fenômeno que consequentemente causa transtorno para a mente pós moderna. pois uma vez que aceita, a revelação Bíblica estabelece uma metanarrativa (negada pela mentalidade pós-moderna) centrada neste “plano redentor.” a revelação cria uma nova história, centrada em termos práticos em “quem era” e “quem agora sou.” o transtorno aparece quando independente da cultura ou língua, a metanarrativa se repete, e continua se proliferando, por onde o cristianismo é plantado.

em outras palavras, o fenômeno cristão é uma afronta aos ideais “pós-modernos.”

04:48 pm: tarrais7 notes

Link
tia joquebede

acabei de tentar ler o capítulo 2 de êxodo inteiro esta manhã mas não consegui passar dos primeiros versículos. 

o segredo da leitura de qualquer narrativa se encontra nos conceitos de memória e antecipação. memória é a habilidade de lembrar aquilo que passou antes da leitura chegar até onde está (ecos, expressões, palavras chaves, etc). antecipação, por sua vez, é a habilidade de conseguir antever ou antecipar o que está por vir através daquilo que está ocorrendo.

muito bem. êxodo 2 é um exemplo excelente onde ambos os conceitos são encontrados… 

o capítulo começa com a informação de que um homem da casa de levi “casou” com uma “filha de levi.” a palavra “casou” no hebraico é laqah ou “tomou.” esta palavrinha traz na memória a atitude de eva no jardim do éden, a 1a pessoa que “tomou” algo no AT. as consequências da atitude de nosso primeiros pais são problemáticas e desde então o uso deste verbo (tomou) carrega uma leve conotação negativa (veja gen 6.1-2).

fora isso, êxodo 6.20 informa que joquebede era tia de anrão, seu esposo. de acordo com a lei levítica (que viria no futuro) esta atitude não é apenas errada (lev 18.12) mas punível (lev 20.19). em outras palavras, por mais que a lei não se aplica a casos que ocorrem antes dela ser formada, este “casamento” carrega uma imagem negativa. o que torna a história anda mais interessante! deste casamento aparentemente complexo, nasceram moisés (o libertador) e arão (o primeiro sumo sacerdote).

providência Divina atuando em sua melhor forma! 

mas a leitura não pode ser apenas marcada pela memória do que passou, ela deve antecipar o que está por vir… 

desta maneira a pergunta que deixo é: que outro libertador (novo moisés) virá no futuro de um nascimento também aparentemente “ilegal” aos olhos do povo? 

memória e antecipação. há muito mais no texto do que pensamos… 

10:38 am: tarrais2 notes

Link
igreja = hospital?

o conceito é usado tanto que já virou um dos vários “clichês cristãos.”

o conceito é usado com boas intenções, tenta mostrar o lado solidário do qual o cristianismo foi fabricado a ser. 

você já ouviu o conceito…na igreja, no pequeno grupo, no youtube.

eu já usei o conceito. 

que o conceito é usado não é o problema. o problema é o que ele desenvolve… a longo prazo, na mente da igreja. 

o conceito é: “a igreja é um hospital…” lugar onde congregam não pessoas curadas e perfeitas mas pessoas buscando cura.

e o conceito faz sentido. todos somos quebrantados e carentes de cura. imperfeitos.

o ponto é que a igreja definida como hospital não possuí a liberdade para ser tudo o que ela foi chamada a ser (alguns exemplos):

uma noiva (joel 2.16; apocalipse 19.7)

uma cidade na colina/montanha (mateus 5.14)

e acima de tudo: o corpo de Cristo! (efésios 5.30; colossensses 1.24; romanos 12.4; 1 corintios 12.13)

a ilustração mais forte do que a igreja foi chamada para ser se encontra na comparação com o corpo de Cristo. Cristo anunciava a vinda do reino, pregava juízo, arrependimento, graça, curava multidões, se assentava com pecadores, e conversava com prostitutas…

a igreja não é hospital. a igreja é o corpo de Cristo!

e agora? como é que estamos representando o Cristo do qual somos corpo?

“Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.” Romanos 7:4

talvez continua…

07:15 pm: tarrais7 notes

Link
o “desaparecimento” do espírito

“…desfaleceu o nosso coração, e em ninguém mais há ânimo algum.” josué 2:11

no discurso da prostituta raabe aos espias israelitas em josué 2 um pedaço de informação é deixado de fora da tradução em português (e em inglês)…

o “ânimo” que ninguém mais mantinha (coragem em inglês) havia desaparecido da cidade de jericó e de seus habitantes antes de sua súbita destruição. a pequena palavra hebraica para “ânimo” no português ou “coragem” no inglês nada mais é do q ruah ou “espírito” no hebraico.

a destruição de jericó já havia sido anunciada em gênesis 15.16 a abraão ao Deus dizer: “e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” e quatro gerações depois aqui está o povo. e é neste contexto de juízo que o “espírito” dos habitantes de jericó “desaparece.”

antes de juízo, a ausência do espírito. 

o espírito que é dado para convencer e criar fé durante um período específico de tempo (gênesis 6.3) é retirado quando sua influência é continuamente rejeitada.

e já que o futuro para a mente hebraica nada mais é do que aquilo já foi introduzido pela sombra do passado o juízo futuro também é marcado pela ausência do espírito…

não é atoa que Cristo disse “quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” lucas 18.8. um sinal do desaparecimento do espírito?

de acordo com josué 2 o fim será marcado por duas classes de pessoas: os “habitantes de jericó” que resistiram a influência do espírito até o fim, e “raabes” que apesar de sua pecaminosidade reconhecem a soberania de Deus e abandonam a vida antiga.

josué 2.11 termina com este reconhecimento: “porque o SENHOR vosso Deus é Deus em cima nos céus e em baixo na terra.”

e se a história se repete…

12:27 pm: tarrais6 notes

Link
Jesus, uma nova esperança? (parte 3)

e no seu nome os gentíos esperarão (terão esperança)…” mateus 12.21

no seu nome os gentíos terão esperança. esperarão na esperança.

que esperança é esta?

depois de Cristo ser apresentado como um novo moisés no capítulo 11, como um novo davi no capítulo 12, e após os fariseus (como saul e doegue) planejarem matar Jesus pela primeira vez no evangelho de mateus, mateus cita isaías 42 descrevendo como Jesus cumpriu as profecias de isaías no seu ministério.

o último texto que mateus cita é isaías 42.4, porém note a diferença no texto de mateus do texto de isaías:

mateus 12.21 - “e no seu nome os gentíos esperarão”

isaías 42.4 - “e as ilhas aguardarão a sua lei”

as ilhas, os gentíos, aguardavam a vinda daquele que restauraria a lei (novo moisés), e daquele que restauraria israel por completo (novo davi). sua esperança é tanto no nome como na lei, pois ambos são representações da realidade do Cristo que veio para fazer novas todas as coisas.

o messias que viria para fazer novas todas as coisas era o objeto de sua espera, de sua esperança.

mas esperança aparte da Escritura é uma palavra vazia… os líderes de Israel ao perderem de vista o texto bíblico, perderam de vista as profecias que delineavam a natureza e o ministério do Cristo que viria…e quando Ele chegou, “o mundo não o reconheceu” (joão 1.10).

e se a história se repetir?

ao perdermos de vista o texto Bíblico hoje, corremos o risco de perder a nossa identidade de esperança, da esperança da Palavra, da esperança que espera.

Jesus é um novo moisés, um novo davi, e uma nova esperança… esperança enraizada na Escritura e regada pelo esperar paciente, o esperar dos gentíos em isaías 42 e dos pastores de rebanho em lucas 2.

que neste natal a história da esperança do primeiro advento aqueça nossa esperança no segundo advento, e quando aquele dia chegar, que possamos juntos dizer:

“eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos…” isaías 25.9

02:41 pm: tarrais1 note

Link
Jesus, um novo davi? (parte 2)

e no seu nome os gentíos esperarão (terão esperança)…” mateus 12.21

mateus 11 termina com um novo êxodo, e mateus 12 começa com descanso, com shabbat (no hebraico “descanso”)…

nos primeiros capítulos de mateus Jesus é introduzido como um novo moisés (um dia escrevo mais sobre isso, mas não é difícil notar as similaridades, matança das crianças durante nascimento, entrada/saída do egito, subida ao monte das “bem aventuranças” indicando um novo sinai, etc), e um novo israel… a partir do capítulo 12 de mateus Jesus é introduzido como um novo “davi.” uma idéia confirmada em mateus 12.23 “não é este o filho de davi?” 

mas note a maneira como a história de davi e do descanso que Jesus oferece se encontram em mateus 12:

Jesus, no día do sábado, com seus discípulos, colhia espigas de trigo pois tinham fome…uma imagem similar a de davi, que com seu bando de soldados aguardavam o momento correto de “restaurar” o reino de israel. 

a lei em nenhum momento proibe satisfazer a fome no dia do sábado, e muito menos “colher” para saciar a fome…(veja levítico 19.9-10 e deuteronômio 24.20-22). desta maneira, Jesus não quebra nenhum mandamento, mas como o “Senhor do sábado” que Ele é (mateus 12.8) Ele restaura o sábado para seu devido lugar.

a atitude de Jesus, assim como a de davi no passado, gera conflito e intriga no meio dos líderes. Jesus com os fariseus, e davi com Saul e doegue o edomeu (1 samuel 21.7), um personagem tenebroso que mais tarde mata os sacerdotes e levitas por darem pão e apoio a davi (no dia do sábado) e mostrando deslealdade a saul. 

não é atoa então, que Cristo, no dia do sábado, ao aliviar as necessidade de seus discípulos, faz brotar ira nos líderes de israel. nos líderes que assim como saul e doegue no passado começam (pela 1a vez no livro de mateus) a planejar a morte de Jesus (mateus 12.14).

Jesus, como novo davi, não mostra rebeldia a Deus, se alguém de fato é um homem segundo o coração de Deus este é o próprio Jesus! o contexto de mateus 12 e seus ecos com a história de davi torna impossível a possibilidade de Jesus ter anulado o dia do sábado se mostrando acima do dia que Ele mesmo criou…(idéia já deixada clara em mateus 5.17 “não vim para abolir a lei, mas para a cumprir”).

como o novo Davi ele é fiel. Ele é o próprio Senhor do sábado, aquele que formou uma janela para eternidade dentro de um dia, para nos lembrar que na criação e em sua morte nosso descanso se encontra Nele, em SEU trabalho concluído…

mateus 11 termina com um novo êxodo, e mateus 12 começa com descanso, com o descanso de Jesus, um novo davi, que restaura a lei no meio de israel. e a história se repete em Cristo…no Cristo que “faz novas todas as coisas.”

…continuo no próximo post a parte final.

03:50 pm: tarrais

Link
Jesus, um novo faraó? (parte 1)

“e no seu nome os gentíos esperarão (terão esperança)…” mateus 12.21

o livro de mateus é o meu livro favorito no novo testamento. porquê? pelo simples fato de ele representar o ângulo dos evangelhos que mostra como Cristo restaura tudo que foi perdido e esquecido no antigo testamento.

a sequência do capítulo 11 e 12 é um excelente exemplo. o capítulo 11 de mateus termina com o famoso texto: “vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu os aliviarei…” as imagens que o texto evoca são aquelas do êxodo, onde o povo de israel estava cansado e oprimido pelo serviço debaixo do faraó do egito. e no final de mateus 11 Cristo aparece como um novo faraó, mas um faraó diferente. um faraó que oferece descanso e um fardo leve na ausência de opressão. em outras palavras, Cristo estabelece em mateus “um novo êxodo.”

não é atoa que mateus 12 começa com o tema do sábado… já que liberdade do egito resulta em descanso (shabbat) no trabalho terminado de Cristo ao libertar o povo do Egito. note que a idéia do descanso não altera nada do que já foi introduzido na criação (genesis 2.1-3), quando adão e eva descansam não do seu trabalho mas no trabalho concluído de Cristo. 

mateus 11 termina com um novo êxodo, e mateus 12 começa com descanso. e a história se repete em Cristo…no Cristo que “faz novas todas as coisas.”

…continuo no próximo post

12:19 pm: tarrais1 note

Link
uma carta aos semeadores de vento

berrien springs, 30 de outubro de 2011

caros semeadores de vento,

vocês estão no brasil. estão nos eua. estão no mundo.

são semeadores de vento… com suas sacolas cheias de idéias brilhantes e textos bíblicos esparsos. colocam toda a fé na semente, independente do que ela irá produzir. independente do que irão colher.

para alguns de vocês a semente da dúvida é a possibilidade da criação do mundo em 7 dias. para outros é a divindade do Espírito Santo. para outros é a data iminente do fim do mundo. idéias brilhantes e textos bíblicos esparsos.

vocês fazem parte de uma família antiga de semeadores.

em ezequiel 13 somos introduzidos para sua raça, antiga, que surge do meio do povo de Deus:

“E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os profetas de Israel que profetizam, e dize aos que só profetizam de seu coração: Ouvi a palavra do SENHOR; Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram!…viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o SENHOR não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra…como tendes falado vaidade, e visto a mentira, portanto eis que eu sou contra vós, diz o Senhor DEUS.”

são semeadores que acreditam estar cheios do Espírito (ruach no Hebraico) mas estão na verdade cheios de vento (ruach no Hebraico). profetizam de acordo com seu entendimento e tem pouca consideração pelo povo… pela repercussão das suas Palavras na fidelidade do povo perante o Deus que não os enviou.

em oséias 8.7 a sua raça é reconhecida no meio do povo de Deus de novo, são aqueles que “semeiam o vento” mas colhem “tempestade.” que semeiam dúvida e colhem confusão…

no novo testamento Jesus reconhece sua raça que surge do meio do povo de Deus como “lobos devoradores” que se vestem “como ovelhas” (mateus 7.15). e paulo em suas palavras de despedida lembra seus seguidores que depois de sua partida “entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho…” (atos 20.29). falam coisas perversas, buscam atrair discípulos, e vivem a mesma religião da galácia, uma religião exclusiva… fechada.

paulo no mesmo discurso roga para que todos vigiem e se lembrem de suas lágrimas. porque o que difere um verdadeiro semeador, um semeador da verdade, de um semeador de vento como vocês, além de frutos, são lágrimas. o semeador da verdade chora com o povo não contra o povo.

por isso cuidado vocês semeadores de vento. que acusam seus irmãos de não terem conhecimento. que condenam seus irmãos de não compartilharem de suas crenças irrelevantes. que ao invés de buscarem a união do corpo debaixo de Cristo, buscam a divisão do corpo debaixo de suas novas idéias…cuidado. pois a bíblia é um livro sobre fé, esperança, e amor. e o maior de todos estes de acordo com 1 coríntios 13.13 é o amor.

se a colheita das sementes que vocês plantaram não render grandes quantidades de amor a Deus e amor ao próximo esta será a evidência que vocês de fato semearam vento… e logo colherão tempestade.

“semeai para você mesmo de acordo com justiça… e colha amor e misericórdia” oséias 10.12

02:25 pm: tarrais5 notes

Link
césar X Deus

“mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles… disse-lhes: dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. e admiravan-se Dele.” marcos 12.15, 17

hipócritas.

no grego hupocrisis.

no dicionário: é o ato de fingir ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui.

o termo é tão vasto que ninguém escapa.

todos somos, ou em algum momento de nossa vida fomos… hipócritas. mas no texto de hoje, os hipócritas que se aproximam de Cristo “o admiram.”

a hipocrisia se torna ainda mais evidente em períodos de eleições ou de crises. nós defendemos, discutimos, e argumentamos á favor de candidatos e de uma causa que mal conhecemos (e provavelmente esqueceremos até a a próxima causa “da moda” surgir)… e adicionamos a cereja religiosa no bolo de nosso discurso a linha que nos isenta de qualquer sentimento de culpa: “dai a César o que é de César.”

falar disto tudo, é dar a césar o que é de césar.

mas os hipócritas… “admiravam-se Dele.”

e se o crescimento da hipocrisia de hoje é o resultado direto da ausência de Cristo do nosso meio? da ausência do Cristo que inspira a admiração. da admiração que ofusca qualquer outra admiração que não parte da admiração que vem das Palavras de Cristo. especialmente a admiração de causas que não partem de Cristo…

talvez C.S Lewis tenha resumido o problema melhor que qualquer um quando escreveu:

“aquele que se rende sem reservas aos chamados temporais de uma nação, ou de um partido, ou de uma classe está doando a César aquilo que, de todas as coisas, mais enfáticamente pertence a Deus: ele mesmo.”

há uma causa maior. há um discurso, uma morte melhor. mas em nossa hipocrisia, preferimos admirar nossa momentânea atitude de “dar a César o que é de César” sem perceber que acabamos dando a César aquilo que era devido somente a Deus: a nossa mente, o nosso coração, e consequentemente… nós mesmos.

não dê a César o que pertence a Deus.

“não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus…” romanos 12.2

02:50 pm: tarrais1 note

Link
o caminho do coração

como seres humanos, diariamente temos a escolha de viver a vida pelos olhos da esperança (em suas diversas formas) ou pelos olhos do caos e do desespero. mas hoje, uma pessoa me escreveu: “o que importa é seguir o caminho do coração.”

esta frase é como um mantra moderno. porém penso comigo mesmo:

se de fato seguir o caminho do coração é imperativo, inevitável, a pergunta que fica é: qual coração?

o de nietzsche é separado da mente e age independente dela.
o de kierkegaard é puro e tem apenas uma vontade.
o da biblia é enganoso mas tem potencial para o bem q transcende “o eu.”

caetano veloso já cantava:

“meu coração não se cansa, de ter esperança…”

esperança ou de “ser tudo o que quer” como caetano…

ou de “ser algo que transcende o eu” como o de tantos gigantes do passado.

mas a pergunta que todos devemos responder para nós mesmos, se de fato devemos seguir o caminho do coração, é: qual coração?

pois cada coração tem o seu próprio caminho.

08:19 pm: tarrais7 notes

Link
Deus X cultura

como futuro pai cada vez mais tenho pensado na educação do meu filho… ultimamente tenho dedicado tempo para pensar no relacionamento entre Deus e cultura, e como isto influencia a educação. até aqui tenho certeza de que ou ensino meu filho uma cosmovisão bíblica que desafia a cultura…ou a cultura o ensina uma cosmovisão mundana q desafia a bíblia. aqui está um trecho de uma monografia que irei apresentar sobre Deus e cultura num simpósio de líderes aqui na andrews em outubro de 2011. esta parte específica lida com a questão da possibilidade da cultura em si ser “transformada”:

H. Richard Niebuhr em seu renomado volume entitulado “Cristo e Cultura” sugere a possibilidade de um Cristo que transforma a cultura. ele escreve: “o reino de Deus é cultura transformada porque ela é antes de tudo a conversão do espírito humano de infidelidade e auto-serviço ao conhecimento e serviço de Deus” (Cristo e Cultura, p. 228). nos tempos do antigo testamento, a possibilidade de uma “cultura transformada” existia. a “comsovisão Divina” apresentada na Torah (que é fundamentalmente uma filosofia de vida revelada ao homem), por um período de tempo, deveria transcender as paredes das casas israelitas para alcançar “todas as nações.” o profeta isaías escreve: “irão muitos povos e dirão: vinde, e subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de sião sairá a lei [torah], e de jerusalém a palavra do Senhor” (isaías 2.3).

tal conhecimento de Deus, ou cosmovisão Divina, deveria resultar na transformação da sociedade e cultura nos tempos do antigo testamento. a profecia clássica de isaías e de outros profetas sugerem esta possibilidade (veja isaías 65-66). mas israel falhou em sua fidelidade á aliança e a possibilidade de “transformação” evaporou junto com sua fidelidade a Deus. elementos da visão profética de uma sociedade transformada foram então emprestadas pelos autores do novo testamento sobre inspiração para descrever o futuro escatológico no céu.

a possibilidade de uma “cultura transformada” deixou a pré-visão profética no novo testamento. o papel de israel de ser fiel á aliança e a cosmovisão Divina resultando em uma “cultura transformada” e abreviando o “dia do Senhor” é vista na igreja do novo testamento, mas sem a antecipação de qualquer transformação na cultura secular.

desta forma, enquanto Niebuhr fala de um Cristo que tranforma cultura, ele está parcialmente correto no sentido de que aqueles que estão “em Cristo” hoje afetam a cultura quando são fiéis a cosmovisão Divina, que permanece a mesma desde o antigo testamento (e expandida com os ensinos do novo testamento). mas enquanto a fidelidade á “cosmovisão Divina” tinha a possibilidade de transformar a cultura e a sociedade no antigo testamento, no novo testamento (e até a vinda de Cristo), fidelidade á cosmovisão Divina resulta em perseguição. perseguição não somente aos discipulos e membros da igreja primitiva, mas a todos os cristãos fiéis até o remanescente escatológico (veja mateus 5.10; 2 timóteo 3.12; e apocalipse 12:13, 17).

como cristãos devemos respeitar a tensão bíblica e viver dentro dela: ser fiéis á revelação Divina (cosmovisão Divina) e ao mesmo tempo “dar a César o que é de César” (mateus 22.21).

fica a recomendação paulina: “e não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” romanos 12.2

09:35 pm: tarrais1 note

Link
fé na bíblia… em qual delas?

é dificil acreditar que a bíblia que eu e você temos em nossas casas/igrejas é o livro que é…

pense em todos os fatores que fizeram este livro ser o que Ele é para nós hoje:

  1. escrito por diversos autores (e inspirado por Deus se levarmos 2 timóteo 3.16 a sério).
  2. escrito durante um percurso de diversas décadas/séculos entre cada livro…
  3. possivelmente editado em diversas ocasiões para que o conteúdo fosse atualizado para determinadas gerações (nomes de cidades, números, locais geográficos, etc).
  4. organizado debaixo de um canon por homens de fé… (tanto o canon hebraico como do novo testamento).
  5. preservado de diversas maneiras (providência de Deus) sob condições adversas durante os séculos (qumram, masoretas, etc).
  6. traduzido parcialmente e por completo para mais de 2 mil línguas modernas.

e hoje ao lermos o texto bíblico podemos notar como o processo da inspiração atuou nesta sequência complexa…

um exemplo que notei recentemente é o conceito de fé introduzido por habacuque.

o texto hebraico de hab 2:4 diz: “porque o justo viverá por sua fé

o texto grego de hab 2:4 na tradução da septuaginta (LXX) diz: “porque o justo viverá pela minha fidelidade

e paulo no novo testamento cita o texto de hab 2:4 em romanos 1.17 mas escreve “o justo viverá pela fé

desta forma, se formos crer na Bíblia… em qual delas iremos nos apegar? na hebraica, na LXX, ou na do novo testamento?

a beleza do processo de inspiração é que Deus está mais ativo neste processo do que imaginamos.

inspirado, paulo não cita o texto hebraico “sua fé” nem o texto do grego “minha fidelidade” disponíveis na época que ele escreveu sua carta aos romanos… mas sobre inspiração resume a tensão de ambos… “o justo viverá pela fé.” uma fé que é tão nossa como Dele.

assim, a fé que temos na Palavra como ela é hoje é legitimada na fé no Deus que a inspirou, de diversas formas, e durante toda a história…

uma fé que é tão nossa como Dele.

“pois o justo viverá pela fé…” romanos 1.17

12:48 pm: tarrais6 notes

Link
igreja x TV RECORD/GLOBO/ETC

acabei de responder uma série de perguntas para uma entrevista (que irei postar o link assim que ser publicada)… a pergunta mais significante para mim foi: como você analisa a procura das pessoas pelo afrofundamento no estudo da Bíblia? mudando para o âmbito das igrejas, como você avalia a atual necessidade e realidade do estudo da Bíblia dentro da igreja?

antes de eu colocar minha resposta aqui, não acredite que esta resposta seja meramente minha opinião… opinião é dada quando existe espaço para interpretação, onde existe ambiguidade, o que escrevo aqui não é minha opinião, mas a observação de um fato.

“Se fosse resumir tudo que vi em diferentes países e cidades nos últimos anos diria que existem poucos que tem interesse na Bíblia, e eu não os culpo, porque tornamos a Bíblia algo desinteressante. Inundamos os jovens e os membros da igreja com “programações” na igreja que mais se assemelham a programas da record/globo do que um culto ao Deus vivo. Usamos jargões, clichês, e sermões superficiais e cheio de apelos emotivos e nisto tudo o foco é tirado da beleza e profundidade da palavra e colocado numa espécie de “entretenimento gospel.” Sou um minimalista, na musica, na vida, e no ministério, e creio  que precisamos voltar ao simples. Todos ao redor de uma mesa com comida e bíblia aberta. Orando para que Deus fale conosco. Pois se Deus não falar a nós através da Palavra não existe esperança… A escola sabatina mesmo aqui nos EUA também imperceptivelmente tirou o foco da Palavra para um estudo do “que eu acho.” Uma pergunta é feita, um acha isso, outro acha aquilo, poucos estudaram durante a semana e a maioria está esperando o “louvor” começar. Igreja, missão, ministério, musica são veículos para comunicar a realidade de Deus através da Palavra, mas pelos moldes de ministério que estamos escolhendo… a Palavra irá ficar cada vez mais de escanteio e isso, como no passado, será trágico para a igreja (Oséias 4.6).

em outras palavras… o nosso desinteresse na bíblia irá crescer na mesma medida que aumentar o nosso interesse em “programas de entretenimento” na igreja. nossa concorrência não é com a tv record…mas contra “principados e potestades” (efésios 6.12). contra record e globo nós sempre iremos perder, mas contra principados e potesdades ELE venceu e irá nos ajudar a vencer.

“…errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus…” mateus 22.29

02:20 pm: tarrais5 notes

video

abraham joshua heschel é tranquilamente um dos meus escritores/pensadores favoritos… não somente pela profundeza de sua imaginação filosófica/teológica mas porque durante sua vida foi uma voz profética contra os abusos de uma sociedade confusa… esta é uma rara entrevista que encontrei esta semana. simplesmente tocante.

11:15 am: tarrais2 notes